sábado, 27 de agosto de 2011

"refúgio"

Não me conheço, será temporária esta minha não aceitação do mundo exterior? estou num furacão, parece desordenar-me todo o ser, cada vez mais me irrompo da vontade de sorrir, talvez uma menor aspiração mas uma maior independência do pensar e do agir.
"não fiques triste porque acabou,
sorri por ter acontecido."
Estou numa posição constatária em relação ao que é o amor. Implacável e favorável por vezes, transforma-nos a todos, faz-nos perceber que o conforto de quem realmente amámos é crucial e precioso.
Luto todos os dias contra uma imagem tua, contra memórias que jamais o tempo apagará, contra a minha vontade de deixar a solidão apoderar-se de mim e eu desejar desaparecer.
O tempo não volta, segue sempre... as folhas ainda não tropeçaram nos solos gélidos e calcetados de memórias infinitas. De novo mudarei a minha rotina, o meu corpo anda cansado de se contemplar com um só vulto, que na real só me trás sofrimento e me muda de todas as maneiras.
Aceitei desafogadamente a distância, aceitei solitariamente a dor, deixei de ser paciente, pois quanto mais esperava mais me enganava.
Rio-me neste momento do futuro, choro do passado e calo piedosamente a minha boca com o presente... refugio-me no pequeno espaço que só algumas pessoas guardaram para mim. Não consigo agradecer a tal gente o que fizera por mim, nunca me deixaram cair brutalmente na esperança e fizeram tudo ao seu alcance para me implantar drasticamente a dolorosa realidade.
Depois da dura e calosa verdade, eu próprio me consciencializei de que o tal "sempre" tem um fim. Mas que fique percebido que cada um comanda a sua vida e só cada um moldará ao seu jeito o "sempre".
Em todas as relações fala-se em destino, o destino separa, às vezes magoa-nos, outras vezes saúda-nos, eu não acredito no destino... sigo à minha maneira.
Pergunta-se: custa seguir em frente? custa, de tal forma sinto-me incompleto, de tal forma ainda me agarro ao passado não querendo realmente seguir e, manter-me vivo com recordações mas mantenho-me vivo de outra forma.. sem ti, sem nós, só eu, simplesmente a procurar o meu caminho... o meu refúgio.

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